Artigo na Pack & Label Around Magazin por Pierre Moyon [PDF]

A Sistrade está presente em quarenta países. Há quase vinte anos, este reconhecido desenvolvedor de software de gestão integrada para operações industriais conta com clientes nas áreas da embalagem flexível e das etiquetas. Durante a sua apresentação no Pestana Douro Riverside Hotel, no Porto, no passado dia 18 de julho, André Oliveira recordou a importância dos dois setores acima referidos, que dirige no seio da estrutura portuguesa. Começou por fazer um enfoque nesses dois mercados, bem como no da extrusão. Abordou igualmente a importância da flexografia para a marca, que, nesse dia especial, celebrou os seus vinte e cinco anos. Segundo André Oliveira, o Sistrade ERP/MIS está adaptado aos transformadores de embalagens e de etiquetas, uma vez que oferece um controlo total sobre cada etapa dos seus processos comerciais, sendo esta uma característica-chave destacada nas fichas técnicas para os convertedores destes dois mercados. O que o tornaria particularmente adequado? A força do sistema na definição das etapas de processo, no controlo de materiais, na rastreabilidade e na integração da monitorização em tempo real da produção das ordens de trabalho.

Flexo: a grande vencedora dos últimos vinte anos

Com base nesta constatação, Sante Conselvan afirmou de seguida que a flexografia surge como a grande vencedora dos últimos vinte anos. O presidente da Federação Técnica Europeia de Flexo (FTA Europe) sublinhou que o mercado europeu da impressão representa atualmente 189 mil milhões de euros e deverá atingir os 194 mil milhões de euros até 2028. Um crescimento impulsionado, mais uma vez, pelos motores que são a embalagem (incluindo a flexível) e as etiquetas. Dois setores que, segundo ele, apresentarão ambos uma taxa de crescimento anual composta (TCAC) positiva no futuro Embora, de acordo com os seus dados, a impressão analógica domine em valor e volume, apenas a flexografia registará um crescimento real até 2028. Para Sante Conselvan, a tecnologia está a alterar os modelos de negócio da impressão: a normalização e a impressão online estão a desenvolver-se em detrimento dos produtores independentes tradicionais. Considera igualmente que as empresas de impressão e embalagem estão a diversificar e a adaptar os seus modelos de negócio e que, no setor do packaging, existe uma polarização contínua através de fusões e aquisições. Para o presidente da FTA Europe, os desenvolvimentos têm-se concentrado na evolução dos modelos de negócio com vista à redução dos custos transacionais, através do software, da automatização do fluxo de trabalho, da alteração das rotas para o mercado e da melhoria da rapidez. Embora o packaging surja como grande vencedor, o big data e a inteligência artificial representam um futuro que deverá continuar a ser gerido pelo ser humano. «No futuro, poderá existir o híbrido (digital e flexo) e será necessário trabalhar lado a lado para atingir os nossos objetivos; temos de investir nas pessoas, porque elas são o nosso futuro», concluiu.

Encontrar outra forma de apresentar o plástico

Um futuro que poderá tornar-se mais incerto para o plástico, tendo em conta as numerosas críticas de que é alvo. Foi por isso que Pedro Paes do Amaral apelou aos profissionais do setor para encontrarem outra forma de o apresentar. «Na maior parte das vezes falamos de nós próprios, mas precisamos de falar a uma só voz», sugeriu o vice-presidente da Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos (APIP), nomeadamente para «entrar na era da sustentabilidade». Aproveitou ainda a ocasião para anunciar a segunda edição do Plastics Summit Event, que terá lugar em Lisboa no próximo dia 6 de outubro. São esperados 144 participantes de 17 países diferentes. Talvez aí se cruze com Pablo Serrano, que, a 18 de julho no Porto, interveio em representação da Associação Ibérica de Fabricantes de Etiquetas em Contínuo (AIFEC). Ao longo da sua apresentação, Pablo Serrano baseou-se num relatório da consultora KPMG intitulado “Perspetivas Espanha 2025”. Entre os principais desafios que as empresas ibéricas enfrentarão nos próximos três anos destacam-se a transformação digital estratégica e a adoção de novas tecnologias, seguidas pela atração e retenção de talento e pelas alterações regulamentares. Quanto aos principais riscos, estes estão novamente ligados à regulamentação, à perda de competitividade, à evolução dos preços da energia e das matérias-primas, à procura, bem como aos ciberataques e a outros riscos tecnológicos. Para encerrar a sua intervenção de forma mais otimista, Pablo Serrano recordou que, para as principais empresas do setor, o grande desafio continua a ser a cadeia de abastecimento e que, ao nível regulamentar, é necessária uma atualização com a PPWR. Este dado não parece assustar um setor que já enfrentou vários desafios desde 2020.

Três perguntas a André Oliveira, diretor de Embalagens Flexíveis e Etiquetas na Sistrade

O mercado francês está presente na Sistrade de forma equilibrada entre embalagens flexíveis e etiquetas? Existe vontade de o desenvolver?

André Oliveira: Estamos a desenvolver vários esforços através da presença em eventos do setor promovidos pelas principais associações setoriais e com parceiros locais, de modo a concretizar, num futuro próximo, uma presença na indústria francesa de embalagens flexíveis e de etiquetas.

Os desafios destes dois setores distintos são os mesmos (IA, sustentabilidade…)?

Do ponto de vista de um fornecedor de soluções MIS/ERP, sim. IA/automatização, sustentabilidade, rastreabilidade, Indústria 4.0/5.0 são preocupações comuns às empresas tanto da indústria de embalagens flexíveis como da transformação de etiquetas, para acompanhar o ritmo da inovação tecnológica e do comportamento dos consumidores e não ficar à margem das mais recentes exigências regulamentares.

O que irá a empresa apresentar no próximo Plastics Summit – Global Event de Lisboa e o que espera deste evento?

A Sistrade apresentará a solução MIS|ERP para transformadores de embalagens e etiquetas flexíveis, com rastreabilidade de processos, planeamento baseado em IA e automatização do chão de fábrica adaptada aos setores da embalagem flexível e das etiquetas. Serão apresentados módulos baseados em fichas técnicas para embalagens flexíveis e etiquetas, que suportam fluxos de trabalho multidimensionais, bem como painéis de controlo de monitorização em tempo real alinhados com os conceitos da Indústria 4.0/5.0. Do próprio evento, esperamos reforçar a visibilidade do software MIS|ERP como solução de referência no mercado português e a nível global, alinhada com as tendências regulamentares internacionais (rastreabilidade total dos processos, monitorização em tempo real da produção, etc.), bem como potenciar o networking intersetorial com transformadores e decisores políticos.

Vizelpas: um sucesso “Made in Portugal”

É uma feliz coincidência. No ano em que a Comexi celebra o seu 70.º aniversário, apresentando amostras das mais recentes inovações em matéria de desenvolvimento sustentável, a Vizelpas esteve igualmente presente no passado dia 18 de julho no Pestana Douro Riverside Hotel, no Porto, durante a conferência organizada pela Sistrade para assinalar os seus vinte e cinco anos. Com 90 % da sua atividade concentrada nos setores alimentar e médico, a empresa portuguesa trabalha exclusivamente em flexografia. Urbano Leal, diretor de operações, explica que «o mercado exige quantidades mais reduzidas e mais alterações; desde o design até à técnica, tudo muda, e é mais económico produzir em flexo do que noutras tecnologias». Se, por enquanto, a Vizelpas privilegia o alumínio para soluções de barreira, a sua estratégia passa por o substituir pelo EVOH. Quanto à inovação — verdadeiro «ADN da empresa», segundo Urbano Leal — esta anda de mãos dadas com o investimento, como demonstra a nova unidade prevista para 2026, situada a 10 km da atual (em Vilarinho). Um primeiro passo antes de ponderar eventuais aquisições de fábricas no estrangeiro.

Data: 1 de setembro de 2025